Caminho Português de Santiago

Destaque
Uma experiência para a vida…

Nos dias 22, 23 e 24 de maio partimos para mais uma aventura “LEIRIENSES a caminho de Santiago Compostela”, em bicicleta.

Esta aventura teve inicio na Sé do Porto, relembro que o Porto é uma das mais antigas cidades da Europa que nasceu e se desenvolveu durante a Idade Média. Local ideal para o ponto de partida, desta que foi mais uma grande aventura.

O percurso do Porto até Santiago tem uma extensão de 240 km, e é o mais percorrido Caminho Português de Santiago, conhecido também pelo Caminho Central, embora este inicie mais a Sul de Portugal e passe por Lisboa, Coimbra e o Porto. Está totalmente assinalado desde Lisboa com as inconfundíveis setas amarelas que marcam os Caminhos de Santiago e, por vezes, com uma vieira amarela sobre o fundo azul, o símbolo oficial.

Mas em Portugal existem vários Caminhos de Santiago, sempre de Sul para Norte, já que Santiago de Compostela fica na Galiza (Espanha), a 120 km da fronteira de Valença, ao Norte de Portugal.

O principal objetivo foi levar o brasão de Leiria até Santiago de Compostela, no dia em que o município festeja mais um aniversário desde que foi elevada a cidade (Feriado municipal – 22 de maio).

Como em qualquer desporto, é necessário haver uma preparação física e mental por parte do atleta, isto para avançarmos para um desafio desta envergadura. Este foi um dos requisitos impostos aos participantes, para evitar situações menos boas durante a aventura.

O slogan para o evento:

O Caminho não é uma corrida!
Não passes pelo Caminho… deixa antes que o Caminho passe por Ti!

DIA 1DIA 2DIA 3TOTAIS

1º DIAETAPA IPartida: Porto
Chegada: Ponte de Lima
Distância: 91 Km

Resumo
A partir do Porto, inicia-se o Caminho junto à Sé Catedral e passando por alguns dos mais importantes ex-libris da cidade.
Faremos vários quilómetros em área urbana, atravessando as cidades do Porto e Maia e os seus arrabaldes.
A partir daqui o percurso ganha transição do meio urbano para o rural onde poderemos assistir a uma intensa atividade agrícola marcando profundamente a paisagem.

Passaremos por Vilarinho e pela medieval ponte sobre o Ave antes de alcançar a localidade de Arcos.
Passagem por Arcos (Vila do Conde) em direção a Rates, onde podemos apreciar a lindíssima igreja de um extinto convento.
Sem grandes alterações de paisagem, mas com um pouco mais de floresta, passaremos as freguesias de Courel e Pedra Furada, voltando novamente na estrada nacional velha, chegando a Barcelos onde haverá algum tempo para visitar os principais monumentos desta cidade, cuja história e o seu principal símbolo (o galo de Barcelos) estão intimamente ligados à história do Caminho de Santiago.

Passagem por Barcelos, passando pela Torre de Menagem da Porta Nova e pela Igreja do Senhor Bom Jesus da Cruz.
Continuaremos até ao rio Neiva, que se atravessa pela medieval Ponte das Tábuas e logo a seguir se alcança a vila de Balugães, no sopé da Senhora da Aparecida, concorrida romaria do Alto Minho.

Este será um dia de caminhos rurais, e um magnífico percurso passando por Facha, Seara e a Correlhã, aí entraremos em Ponte de Lima pela Avenida dos Plátanos, junto ao rio, onde podemos deslumbrar uma deslumbrante paisagem.
Ver Mapa - ETAPA I (1º Dia)
Fotos (1º Dia)
Crónica (1º Dia)

O encontro foi agendado para as 6:30h do dia 22 de maio na estação ferroviária de Leiria, com a partida do comboio prevista para as 6:50h.
Tivemos uns minutos para as despedidas e para as fotos da praxe.

Contámos também com a visita surpresa do nosso colega Frederico Valentim que fez questão de nos apoiar na hora de partida para mais uma aventura, visto que desta vez não lhe foi possível acompanhar o grupo (ficará para uma próxima).
Após as despedidas de alguns familiares que também fizeram questão de apoiar os aventureiros, fomos esperar o comboio que nos ia transportar de Leiria até ao Porto.

Viagem Comboio

Aproveito para esclarecer que a CP apenas permite o transporte de bicicletas “montadas” nas ligações Regionais ou Inter-Regionais. Todos os outros comboios obrigam que a bicicleta seja desmontada, situação que pretendíamos evitar na ida para o Porto.
Infelizmente a CP não tem condições suficientes para transportar muitas bicicletas, embora alguns comboios tenham um vagão apropriado para este tipo de transporte. O comboio em que seguimos levava entre quatro a seis bicicletas montadas, nestas situações é preciso ter sorte com a disponibilidade de lugares e com o revisor da CP (pode dificultar a situação).

Não existe nenhum comboio que faça a ligação direta entre Leiria e o Porto, sendo necessário fazer escala em Coimbra e Aveiro. E assim foi, após 1 hora e 50 minutos de viagem na ligação de Leiria até Coimbra, tivemos a primeira escala que deu para tomar um cafezinho.
Até que surge o primeiro imprevisto que foi perder um transporte que é tão grande (comboio).

Aguardámos na “linha 7” pelo comboio, como anunciado no painel informativo. Uma vez que à hora marcada o comboio não passou, pensámos que pudesse estar atrasado. No entanto, ao fim de alguns minutos começámos a achar estranha a situação e fomos solicitar esclarecimentos, até que nos disseram que o comboio já tinha passado. A solução foi aguardar pelo próximo comboio que só passaria uma hora e meia depois.
Este tempo perdido acabou por atrasar a etapa traçada para o primeiro dia: unir a Sé Catedral do Porto à maravilhosa vila de Ponte de Lima, num total de 94 km.
Depois de aguardamos pelo comboio, ainda em Coimbra, lá conseguimos seguir viagem até Aveiro no comboio das 10:10h, para voltarmos a fazer escala às 11:50h para apanhar um terceiro comboio que nos levava até à estação de S. Bento (Porto).

Resumindo, saímos de Leiria às 6:50h e chegámos ao Porto (Estação de S. Bento) por volta das 12:30h, com um atraso de 1:30h em relação ao plano que estava inicialmente traçado. Este atraso obrigou-nos a almoçar pelo caminho umas sandes, para evitar perder mais tempo no Porto.

Início da Aventura

A aventura propriamente dita, teve início às 13h na Sé Catedral do Porto, local onde fomos recolher o primeiro carimbo para a nossa credencial do peregrino, para darmos início ao desafio que se encontrava pela frente.

Os primeiros quilómetros foram feitos em área urbana, atravessando assim as cidades do Porto e Maia com alguma confusão pelo meio. Desde circular em ruas com escadas, passeios de peões e circular em estradas em sentido contrário. Recordo que este percurso está totalmente assinalado com as inconfundíveis setas amarelas que marcam os Caminhos de Santiago, mas é necessário alguns cuidados redobrados para evitar problemas.
Rapidamente o percurso ganhou a transição entre o meio urbano para o rural onde foi possível assistir a uma atividade agrícola, com paisagens fantásticas.

Passámos por Vilarinho e pela medieval ponte sobre o rio Ave antes de alcançar a localidade de Arcos (Vila do Conde).

Sem grandes alterações de paisagem, mas com um pouco mais de floresta, passámos as freguesias de Courel e Pedra Furada, voltando novamente na estrada nacional velha, chegando a Barcelos onde tivemos dois minutos de descanso num dos jardins da cidade, cuja história e o seu principal símbolo (o galo de Barcelos) estão intimamente ligados à história do Caminho de Santiago.

Passagem por Barcelos, passando pela Torre de Menagem da Porta Nova e pela Igreja do Senhor Bom Jesus da Cruz.

Este foi um dia de caminhos rurais, e um magnífico percurso passando por Facha, Seara e a Correlhã, aí entrámos em Ponte de Lima pela Avenida dos Plátanos, junto ao rio, onde nos podemos deslumbrar com um por do sol fantástico.

Chegámos a Ponte de Lima por volta das 20h, desejosos de um bom jantar para repor as calorias gastas durante esta primeira etapa.
Rapidamente encontrámos um restaurante típico, onde tivemos direito a um reforço regado com um vinho “Muralhas” para “afinar os motores” para o dia seguinte.

JantarPonteLima

Depois do jantar ainda foi necessário pedalar cerca de 11 km até ao local onde íamos pernoitar. Tarefa um pouco complicada depois de um bom jantar! Esta viagem foi feita pelas margens do Rio Lima, já passavam 22h, onde sentimos algumas dificuldades porque não estávamos equipados com luzes nas bicicletas, tivemos que recorrer aos telemóveis para conseguir ver alguma coisa, e o piso também não ajudou muito. Tivemos um apoio no transporte das mochilas entre o restaurante e o local onde iríamos pernoitar. Aproveito para agradecer novamente à família Matos que nos acolheu de braços abertos. Obrigado!
Assim que chegámos, já passava das 23h, só queríamos um duche e uma cama, porque a próxima etapa já estava a poucas horas de iniciar e o grau de dificuldade era elevado.

2º DIAETAPA IIPartida: Ponte de Lima
Chegada: Pontevedra
Distância: 89 Km

Resumo
Deixando a medieval vila de Ponte de Lima pela sua ponte romano/gótica entramos num novo mundo onde predomina a ruralidade minhota, de feição marcadamente agrícola.
Segue-se a subida da serra da Labruja onde encontramos os quilómetros mais cansativos de todo o Caminho.
A meia encosta encontramos a Cruz dos Franceses, sinal que o mais difícil da subida está cumprido.


Seguimos para Fontoura por entre campos e matas até chegar à vila fortificada de Valença, que merece uma demorada e atenta visita.
Demore-se e deixe-se encantar nas ruelas apinhadas de gente desta cidade medieval e deslumbre a fantástica panorâmica que do alto da muralha se tem para a cidade de Tuy, coroada pela sua majestosa catedral.

Atravessamos o Rio Minho pela sua ponte metálica e percorremos as ruas do burgo medieval de Tui até alcançar a sua famosa catedral.
Seguimos pelo túnel do Convento das Clarissas e, já fora de muros, pelas igrejas de Santo Domingo e San Bartolomé.
Depois de atravessar a ponte da Veiga chegamos a um dos troços mais bonitos do percurso – o vale do Louro.
Segue-se a travessia do Polígono Industrial e a entrada na cidade de Porriño.

De Porriño, onde rumamos a Norte, pelo caminho passamos junto ao Pazo de Mós, Rua de Caballeros, Santiaguiño de Antas e Chan das Pipas.
Aqui inicia-se a íngreme descida que nos conduz ao centro de Redondela.
Saímos de Redondela por caminhos secundários até alcançar Outeiro de Penas, um local dominado por uma excelente paisagem sobre a Ria de Vigo.
Segue-se Arcade, conhecida por ter as melhores ostras da Galiza.
Saímos de Árcade e cruzamos a extensa ponte medieval de Pontesampaio, por onde passa o rio Verdugo, e atravessamos um aglomerado de ruelas que nos conduz a um dos troços mais bonitos do Caminho: a velhíssima calçada pela qual trepamos a encosta da Canicouba até Cacheiro.
Passada a área montanhosa o caminho alarga-se de novo, dominado agora por campos, vinhas e pomares até chegarmos a Pontevedra, para um merecido descanso.
Não deixe de visitar o centro histórico desta importante cidade galega, que é um belo exemplo de recuperação de património.
Ver Mapa - ETAPA II (2º Dia)
Fotos (2º Dia)
Crónica (2º Dia)

Depois de uma noite com direito a orquestra (ressonar) lá o despertador tocou às 6h para começarem os preparativos da etapa que nos esperava.
O arranque estava marcado para as 7h e conseguimos cumprir este horário, lá fizemos a despedida da vivenda Matos já com o pequeno-almoço tomado e cheios de força para mais um dia doloroso.

Voltámos a fazer os onze quilómetros que tínhamos percorrido na noite anterior para chegar ao local onde pernoitamos, isto para voltarmos à vila de Ponte Lima, local onde iniciava a segunda etapa. Esta viagem, ao contrário da viagem realizada na noite anterior, já nos permitiu apreciar a paisagem fantástica sobre as margens do rio Lima.

Deixando a medieval vila de Ponte de Lima pela sua ponte romano/gótica, entrámos num novo mundo onde predomina a ruralidade minhota, de feição marcadamente agrícola.

Seguiu-se a subida da serra da Labruja onde encontramos os quilómetros mais cansativos de todo o Caminho.

A meia encosta encontrámos a Cruz dos Franceses, sinal que o mais difícil da subida já estava cumprido.

Seguimos em direção a Rubiães, de seguida Fontoura por entre campos e matas até chegar à vila fortificada de Valença, que merece uma visita pela sua história.

A paragem para o almoço foi em Valença, onde fizemos a última refeição em solo Português, já que estávamos a minutos do país vizinho (Espanha). O almoço foi à base de sandes porque ainda tínhamos muitos quilómetros para pedalar até ao fim da etapa (Pontevedra).

Atravessámos o Rio Minho pela sua ponte metálica que une Portugal a Espanha, com uma vista fantástica.

E já estávamos às portas de Espanha!!

Depois de atravessar a ponte da Veiga chegámos a um dos troços mais bonitos do percurso – o vale do Louro.

Seguiu-se a travessia do Polígono Industrial e a entrada na cidade de Porriño.

De Porriño, onde rumámos a Norte, pelo caminho passamos junto ao Pazo de Mós, Rua de Caballeros, Santiaguiño de Antas e Chan das Pipas.
Aqui iniciou-se a íngreme descida que nos conduziu ao centro de Redondela.
Saímos de Redondela por caminhos secundários até alcançar Outeiro de Penas, um local dominado por uma excelente paisagem sobre a Ria de Vigo.
Seguiu-se Arcade, conhecida por ter as melhores ostras da Galiza.
Saímos de Árcade e cruzámos a extensa ponte medieval de Ponte Sampaio, por onde passa o rio Verdugo, e atravessámos um aglomerado de ruelas que nos conduziu a um dos troços mais bonitos do Caminho: a velhíssima calçada pela qual trepamos a encosta da Canicouba até Cacheiro.

Passada a área montanhosa o caminho alargou-se de novo, dominado agora por campos, vinhas e pomares até chegarmos a Pontevedra, para um merecido descanso.
Este descanso foi num albergue dedicado aos peregrinos, ao qual chegámos por volta das 19:30h com mais de 100 km percorridos.

BilheteAlberguePontevedra

O albergue já estava praticamente lotado, mas ainda se arranjaram seis camas para os guerreiros. Assim que oficializámos a reserva fomos arrumar as bicicletas, seguindo-se um duche merecido para posteriormente ir repor as calorias gastas durante o dia.
O tempo para o jantar já não era muito, saímos do albergue para ir procurar comida por volta das 21h (hora espanhola) e o albergue fechava as portas pelas 22h. Tivemos que ser rápidos a procurar e a comer! Facilmente arranjámos um restaurante que servia Kebab, e como estávamos a precisar de bastantes calorias, e não houve nenhuma abstenção, o repasto foi mesmo ali.

JantarPontevedra_00

JantarPontevedra_01

Todos ficámos admirados com a qualidade do kebab, estava muito bom. Ou talvez fosse muita fome… !!
Após a reposição de calorias regressámos ao albergue às 21:59h, para não corrermos o risco de dormir na rua.
O albergue é uma camarata mista, onde estão 50 pessoas a dormir e com regras que têm de ser respeitadas por todos, como deitar às 23h e evitar fazer barulhos, entre outras. Após diversas tentativas para adormecer, fui obrigado a apoderar-me do sofá que estava no hall de entrada, porque não se podia estar dentro da camarata com tanta gente a ressonar.

Som ambiente dentro da camarata:

3º DIAETAPA IIIPartida: Pontevedra
Chegada: Santiago de Compostela
Distância: 64 Km

Resumo
Iniciamos a etapa no centro histórico de Pontevedra através da cidade velha até à milenária ponte de O Burgo sobre o rio Lérez.
Continuamos ao longo do belo vale do rio da Granda até San Mauro.
A partir daí o caminho é largo e de piso fácil embalado numa paz conventual.
Aqui começam a surgir os primeiros cruzeiros, alguns preciosamente esculpidos, que provam estarmos no caminho certo para Santiago.
Entramos em Caldas de Reis pela igreja de Santa Maria, junto à ponte do rio Umia, local de eleição desta cidade termal.

Com alguns troços cheios de encanto deixamos Caldas de Reis através da ponte medieval do rio Bermaña e seguimos por um caminho que nos leva até à povoação de Cruceiro.
Passamos junto à Igreja de Santa Maria de Carracedo e atravessamos uma paisagem particularmente luxuriante, ao longo da vertente do rio Valga seguindo até S. Miguel de Valga, de onde rumamos a Padron, cidade onde segundo a lenda, aportou a barca que transportou o corpo do Apóstolo até à região da Galiza.

Deixamos Padron e dirigimo-nos para norte até à Colegiade de Santa Maria de Iria Flávia.
Continuamos por entre aldeias galegas até à rua de Francos. Começamos a vislumbrar Santiago de Compostela um pouco mais adiante, em Agro dos Monteiros.
Atravessamos os subúrbios da cidade por um percurso que nos conduz até à porta Faxeira, entrada do Caminho Português na cidade velha.
E, é através de um apertado labirinto de ruelas do casco medieval que seguimos até à praça do Obradoiro e à Catedral onde o Apóstolo nos aguarda.
Ver Mapa - ETAPA III (3º Dia)
Fotos (3º Dia)
Crónica (3º Dia)

O despertador no dia 24 de maio voltou a tocar à mesma hora do dia anterior, eram 6h:00 da manhã quando fui acordar os colegas, estavam todos com um sono profundo, porque durante a noite acordaram diversas vezes devido ao ruído no interior da camarata. Eu fui dos únicos que consegui dormir em condições porque troquei o beliche da camarata pelo sofá do Hall de entrada.

Começámos por arrumar as nossas tralhas e tentamos despachar o mais rápido possível porque tínhamos a última etapa da aventura ainda por fazer, ou seja, estavam em falta os últimos 65 quilómetros até Santiago de Compostela.

Iniciamos assim a última etapa no centro histórico de Pontevedra através da cidade velha até à milenária ponte de O Burgo sobre o rio Lérez.

Continuámos ao longo do belo vale do rio da Granda até San Mauro.
Após percorridos alguns quilómetros do caminho, lá encontrámos um “estabelecimento” aberto para saborear um belo chocolate quente, tarefa que não foi fácil porque era domingo.
Este “estabelecimento” não é nada mais que duas máquinas de venda automática que se encontram ao dispor dos peregrinos.

A partir daí o caminho alargou e o piso tornou-se mais fácil, embalado numa paz conventual.
Aqui começam a surgir os primeiros cruzeiros, alguns preciosamente esculpidos, que provam estarmos no caminho certo para Santiago.

Entrámos em Caldas de Reis pela igreja de Santa Maria, junto à ponte do rio Umia, local de eleição desta cidade termal.

Com alguns troços cheios de encanto deixámos Caldas de Reis através da ponte medieval do rio Bermaña e seguimos por um caminho que nos levou até à povoação de Cruceiro.
Passámos junto à Igreja de Santa Maria de Carracedo e atravessámos uma paisagem particularmente luxuriante, ao longo da vertente do rio Valga seguindo até S. Miguel de Valga, de onde rumamos a Padron, cidade onde segundo a lenda, aportou a barca que transportou o corpo do Apóstolo até à região da Galiza.

Deixámos Padron e dirigimo-nos para norte até à Colegiade de Santa Maria de Iria Flávia.
Continuámos por entre aldeias galegas até à rua de Francos. Começámos a vislumbrar Santiago de Compostela um pouco mais adiante, em Agro dos Monteiros.
Atravessamos os subúrbios da cidade por um percurso que nos conduz até à porta Faxeira, entrada do Caminho Português na cidade velha.
E, é através de um apertado labirinto de ruelas do casco medieval que seguimos até à praça do Obradoiro e à Catedral onde o Apóstolo nos aguarda.

Até que chegámos à praça que nos levou nesta aventura de três dias.

Após algumas fotos na praça do Obradoiro fomos procurar um local para almoçar. Optamos novamente por um Kebab, mas desta vez foi possível saborear a refeição com mais tempo.
Por ali ficamos durante um bom bocado, até que voltámos à praça para solicitar o certificado do peregrino, que é personalizado com o nome completo do peregrino em Latim.

(Credencial do peregrino)
CredencialDoPeregrino

(Certificado do peregrino)
diplomaSantiagi2015
Ainda foi necessário aguardar cerca de uma hora na fila para levantar os certificados, porque estão sempre a chegar peregrinos. Durante este tempo aproveitamos para comprar algumas lembranças.

Felizmente não tivemos nenhum percalço durante os três dias, que viesse a impedir ou condicionar a viagem, tivemos apenas um prego num pneu mas a solução nestes casos e deixar ficar.

Regresso a casa

A próxima preocupação era começar a pensar no regresso até casa, e a nossa ideia era faze-lo de Comboio, e assim foi, perguntámos onde ficava e a estação de comboios da Renfe e fomos até lá.
Quando chegamos à estação dirigimo-nos à bilheteira e questionámos que ligações existiam para o Porto. Fomos informados que só existem ligações até Vigo, e em Vigo seria necessário apanhar outro comboio até ao Porto. Mas só restava um comboio, para aquele dia, que partia dentro de uma hora (17h:15m). E fomos também informados que as bicicletas tinham de ser desmontadas e colocadas dentro de um saco apropriado.

Começámos a fazer contas ao tempo que nos restava e tivemos que decidir rapidamente, e assim foi. Fomos a um quiosque que há na estação de comboios onde vendem sacos apropriados para o transporte de bicicletas (embora muito fracos para o valor que pedem por eles).
Começámos a desmontar as bicicletas todas e arruma-las dentro dos sacos. Até que o tempo começava a escassear e ainda tínhamos algum trabalho pela frente.
Até que surge o comboio que tínhamos de apanhar e ainda estávamos a embalar a última bicicleta. Lá conseguimos terminar e entrar com toda a tralha no comboio, foi um autêntico contra relógio!!

A carruagem onde entrámos não era a indicada para o transporte das bicicletas, mas a nossa preocupação inicial não era essa, mas sim entrar com todo o material dentro do comboio, depois do comboio arrancar lá tivemos de transportar as bicicletas para o local apropriado para este tipo de carga, tarefa que também não foi muito fácil porque os corredores são muito estreitos para passar com embalagens grandes.

Assim que chegámos a Vigo, fomos informados que o comboio que fazia a ligação para o Porto ficava noutra estação de comboios, localizada a cerca de um quilómetro da estação onde nos encontrávamos. O tempo que tínhamos até apanhar esse comboio era cerca de uma hora.

Devido ao peso (bicicleta desmontada e todos os seus acessórios dentro de um saco), ao tempo e o facto de não sabermos onde ficava a outra estação, decidimos que a melhor solução era apanhar um táxi que nos levasse até à outra estação, porque era impossível faze-lo a pé. E assim foi, tivemos que recrutar três táxis para transportar seis pessoas e seis bicicletas.
Em cinco minutos chegamos à estação de comboios que pretendíamos, para apanhar o comboio que nos ia levar até ao Porto.

Aguardámos pelas 20h (hora Espanhola) para o comboio da CP arrancar, e a chegada prevista ao Porto (Campanhã) seria por volta das 21:20h (hora Portuguesa).

A seguinte preocupação passou a ser o transporte entre o Porto e Leiria.
Após algumas pesquisas a solução passou por recorrer ao transporte rodoviário que faz a ligação do Porto até Leiria, com partida às 22horas. Surgiu entretanto outro problema, esta garagem rodoviária fica a três quilómetros da estação da Campanhã e a 600 metros da estação de S. Bento (Porto).

Mais uma vez foi necessário recorrer aos taxistas para fazer o transfere das bagagens e do pessoal até à Garagem Atlântico (Batalha). E assim o fizemos, chegamos à estação rodoviária e só restavam dez minutos para a partida do autocarro. Fomos informados que não era possível adquirir os bilhetes sem avaliar o espaço disponível no autocarro. E nós ficamos preocupados porque era a única viagem que poderíamos apanhar nesse dia, caso contrário a viagem tinha de regresso a casa tinha de ser adiada para o dia seguinte. Mas depois do motorista avaliar o espaço, lá nos facilitou as vidas e deu para carregar o material todo.

Lá comprámos os bilhetes e seguimos viagem até Leiria, em autocarro.
A viagem deu para relaxar um pouco, porque já estávamos todos exaustos devido às escalas que tivemos de fazer durante o regresso.

Foram três dias duros mas gratificantes…

Agradeço aos participantes pelo grupo que formámos, trabalhámos todos em equipa e certamente que haverá novas aventuras que iremos partilhar juntos.

Agradeço novamente aos apoios disponibilizados para esta aventura:
• José Grosso Oliveira, Lda (www.josegrosso.pt)
• Caiado, SA (www.caiado.pt)
• Jornal – Região de Leiria (www.regiaodeleiria.pt)
• Serilena (http://www.serilena.pt/)
• Família Matos

TTOTAISDistância: 240 Km
Duração: 3 Dias
Subida acumulada: 3.800 metros

VIDEO



PARTICIPANTES



DORSAIS



APOIOS

2 Comentários

  1. Olá, gostei do vídeo que vi de vcs no YouTube. Estou querendo fazer este caminho no fim de abril. Gostaria de algumas informações, você acha que uma pessoa “normal” consegue realizar em 3 dias também? Eu já ando de bike aqui no Brasil, mas não sei se eh muito pesado para realizar em 3 dias. Vocês pedalavam em média quantas horas por dia? Pois como vou só, penso que deva parar ainda com o dia claro. Poderia me passar o etinerario que fizeram? Tentei baixar, mas deu erro.
    Desde já agradeço.

    1. Olá, para uma aventura deste género a média de velocidade ronda os 10km/hora (inclui o tempo de paragem). Ou seja, para fazer 100 km são precisas 10h a pedalar (+/-). Embora existam outros factores que possam influenciar na média que refiro, como a carga a transportar, o treino e a resistência que cada aventureiro possa ter.
      Para usufruir do caminho propriamente dito, recomendo uma preparação de 2/3 meses antes da aventura, isto para evitar que a mesma se torne uma “tortura”.
      Com mais ou menos esforço, 3 dias para esta aventura é suficiente. Nesta aventura foi cerca de 5horas/dia a pedalar.
      Os percursos foram carregados de novo nesta página, no entanto seguem os links abaixo para download do ficheiro GPX de cada uma das etapas.
      Download – 1Etapa_CaminhoPortuguesSantiago
      Download – 2Etapa_CaminhoPortuguesSantiago
      Download – 3Etapa_CaminhoPortuguesSantiago

      Boas Pedaladas e Bom Caminho!

      Grande Abraço,
      FBagagem

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